Esta semana passei em frente a um prédio em construção e notei que nenhum - eu disse nenhum - funcionário estava usando o cinto de segurança. O pessoal estava trabalhando no sexto andar e sem qualquer preocupação com a segurança. Não é a toa que a construção civil colabora com a maior parte dos acidentes de trabalho no Brasil. O descaso com a segurança é muito grande e a vida do trabalhador é posta à prova todos os dias.
Pode parecer loucura do ponto de vista humano, mas é sabido que todo contrato de prestação de serviço prevê um custo para eventuais acidentes (entenda-se morte). Então, se morre alguém na obra, a terceirizada assume tudo, mas quem paga os custos é a contratante. Obviamente que do ponto de vista contábil, é perfeitamente compreenssível que seja assim. Que todos os possíveis custos sejam previstos. Porém, além desse custo, também são previstos os custos com equipamentos de segurança, então a contratante tem o dever de fiscalizar possíveis irregularidades na prevenção de acidentes que vão desde o fornecimento de EPI's, documentação obrigatória e tudo que envolve a segurança dos funcionários.
Ao que parece, as empresas querem sempre ganhar mais e acabam escolhendo a segurança para economizar, porém do modo errado. Sabemos que é possível conseguir uma grande economia com investimentos em segurança, mas o que acontece é o contrário - deixa-se de gastar com segurança pensando estar economizando. E aí vale tudo, desde comprar equipamentos de péssima qualidade e que são de grande desconforto para o trabalhador e até mesmo o não fornecimentos dos equipamentos que é o caso que citei acima. A economia é ilusória, pois a sorte não é para a vida toda e a qualquer momento alguém pode sofrer uma queda e aí o lucro foi para o espaço. Muito embora a contratada não perca "nada", pois isso já estava previsto nos custos, é óbvio que todos saem perdendo com isso, principalmente o trabalhador e sua família.
Já passou da hora dos sindicatos da construção civil contarem com um profissional de segurança do trabalho para fiscalizarem essas obras espalhadas pelas cidades brasileiras. Sabemos que o Ministério do Trabalho não tem gente suficiente para isso, então, se queremos realmente acabar com os acidentes, está na hora das entidades de defesa do trabalhador começarem a agir com rigor nos descasos dos maus empresários e por um fim nessa triste estatística que envolve o setor.
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7 comentários:
CONCORDO COM O EXPOSTO, PORÉM DEVO SALIENTAR QUE NO TRABALHO EM ALTURA NA COSNTRUÇÃO CIVIL, AS CONDIÇÕES E ATOS INSEGUROS SÃOUM EFEITO DIRETO DA AINDA POUCO QUALIFICADA MÃO DE OBRA,POIS NESTE CASO O TRABALHADOR TEM O RECEIO DIRETO DE PERDER O SEU EMPREGO,NÃO RARO CONHECE O RISCO,MAS SE SUBMETE-SE A ESTA SITUAÇÃO,NOS TRABALHOS EM ALTURA REALIZADOS OFF SHORE, SÓ OCORREM COM CONDIÇÕES LIMITANTES DE VENTO (25 NÓS)OBS: 1 NÓ EQUIVALE A 1875 MT, E MONTAGEM DE ANDAIME 21 NÓS, PARA SE EVITAR O EFEITO "VELA" QUE É A IMPULSÃO DO TRABALHADOR PELA A TABUA, CITO ESTES CASOS POIS ESTANDO EM MÉDIA A 120 KM DE DISTÃNCIA DA TERRA PODERIA-SE SE BURLAR AS NORMAS, MAS TAO FATO NÃO EXISTE PELA FISCALIZAÇÃO,CONSCIENTIZAÇÃO, TALVES A DRT,CREA,SINTERJ, DEVESSE SE TORNAR MAIS ATUANTE,E NÃO APENAS UM MERO GERENCIADOR DE ESTATISTICAS.
Concordo com seu comentário. É bem por aí mesmo. Emprego tá difícil e tem gente que acaba aceitando essa condições que as empresas fingem que não sabem.
Tenho acompanhado trabalhos em altura já alguns anos e, um dos acidentes que presenciei foi exatamente em funçao do vento. Nesse caso eram telhas de alumínio. Felizmente ninguém se feriu, mas o potencial foi muito alto.
Abraços
Muito bom o documentário!!!
Parabéns!!!
www.tecnologiaemsegurancadotrabalho.blogspot.com
Abraço
Adorei o blog. Parabéns!!! ;)
Passa-se o mesmo nesta lado do atlântico
Muitas vezes o trabalhador se esquece da segurança, não acredita que é arriscado ou acredita a sorte como diz o texto. Esses dias estava na empresa onde trabalho e tinha três pessoas trabalhando em altura, e sabe quantas estavam com cisto fixado? Nenhuma! Todas três estavam com o cinto solto, um absudo. Tive que chamar a atenção deles e do chefe deles, muito chato...
Abraços.
Quando houver fiscalização,tanto o acidente como desemprego diminuira bastante!!!
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